Maria Gadú, 25, enfia
as mãos no bolso da calça jeans folgada e canta, olhos grudados no parceiro à
frente, Tony Bennett, 85. De terno e gravata, ele rabisca numa folha enquanto
canta.
Quando terminam, ela dá uma risadinha, talvez
nervosa. E ele lhe entrega o papel com o retrato a lápis que fez dela: "Você
canta lindamente, obrigado", escreveu o crooner americano, a título de
dedicatória.
"Achei que ele estava fazendo anotações e que,
no final da música, fosse me dizer: 'Está errado aqui, aqui e aqui'. Mas era um
desenho", diz, aliviada, a cantora e compositora. "Foi muito louco [...] Ele é
muito fofo, foi muito acolhedor. Me deu um abraço generoso."
Dueto
Os dois haviam se conhecido 20 minutos antes,
num estúdio em Fort Lauderdale, uma cidade pacata ao lado de Miami. Gravaram
juntos a clássica "Blue Velvet", que estará no terceiro álbum de duetos do
cantor, desta vez apenas com artistas latinos, a ser lançado em
setembro.
A gravadora não quis divulgar outros nomes do
projeto, mas há negociações com Marisa Monte e Ricky Martin.
O segundo disco de duetos, de 2011, foi o
primeiro da carreira de Bennett a atingir o topo da parada da Billboard. Conta
com Aretha Franklin, k.d.Lang (que também canta "Blue Velvet") e Amy Winehouse
(em sua última gravação).
Enquanto Gadú se arrumava num trailer, na
quarta-feira (16), Bennett desenhava uma paisagem, sentado no meio da confusão
da produção. Disse que a escolha dos artistas foi feita por seu filho e agente,
Danny.
"Esta linda jovem canta do jeito correto, não dá
para ficar melhor. Canta com alma, sentimento", disse à Folha o
americano, que já se apresentou sete vezes no Brasil, é apaixonado pelo Rio de
Janeiro e fã de João Gilberto.
Em "Blue Velvet", que terá também um videoclipe
com Gadú e Bennett, ela canta em inglês e português, em versos de Cesar Lemos:
"De veludo azul se revestiu meu coração, mais do que o azul do seu olhar, a tua
boca a suspirar, um querer".
"Existe esta ideia de compor um disco em inglês,
mas está tudo etéreo ainda", disse a cantora, que recentemente foi a Los Angeles
conhecer compositores. "As pessoas eram fantásticas, mas achei um pouco frio.
Queria ter mais tempo para sentar, achar uma afinidade."
Para Bennett, nada melhor do que música latina.
"Gosto muito mais do que da música popular americana ou da britânica. Os latinos
ainda acreditam em harmonia e melodia, ainda acreditam no amor", derrete-se.

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